domingo, 28 de maio de 2023

TEMA 03 - SEGUNDA FASE DA GLOBALIZAÇÃO (1850-1950)

 


A segunda fase da Globalização relaciona-se com o processo de industrialização e seus efeitos sobre a produção do espaço geográfico mundial.

 Aspectos do modelo industrial na segunda fase da globalização 

Após a primeira fase, que costuma, em algumas classificações, ser definida entre os anos de 1450 e 1850, consolidou-se a segunda fase da globalização, periodizada entre os anos de 1850 e 1950 ou até o término da Segunda Grande Guerra. Esse foi o período na história do capitalismo em que a produção do espaço geográfico mundial dimensionou-se pelos efeitos diretos e indiretos da industrialização nos países desenvolvidos, com as suas sucessivas consequências em toda a ordem geopolítica e econômica.

Houve, nesse momento, o desenvolvimento do Capitalismo Industrial, em que o setor secundário da economia passou a gerar uma maior quantidade de empregos e exercer efeitos diretos nas sociedades desenvolvidas (por meio da transformação de seus espaços) e nas sociedades coloniais e subdesenvolvidas (pelo fornecimento de recursos agrícolas, vegetais e minerais).

Embora a I Revolução Industrial tenha se iniciado em meados do século XVIII, foi no início do século seguinte que os seus efeitos passaram a ser sentidos em termos de propiciar um maior desenvolvimento da globalização. Os meios de transporte desenvolveram-se, tais como as ferrovias e, depois, os automóveis, assim como a indústria naval.

O espaço geográfico de inúmeras cidades, em países como Inglaterra, França, Alemanha, Itália e, posteriormente, Estados Unidos, transformou-se rapidamente em função da acelerada urbanização provocada pelo processo de industrialização clássica. Nesse mesmo contexto, emergiu a centralidade da figura da burguesia, que se assentou na liderança das produções sociais e econômicas.

Como o processo industrial remonta a uma demanda crescente por matérias-primas e mercado consumidor, algumas modificações na ordem anterior ocorreram. Uma delas foi a gradual extinção do sistema escravocrata em todo o mundo para aumentar o número de trabalhadores e, consequentemente, o de consumidores para as mercadorias produzidas, até então, em massa pelo sistema de produção fordista.

Outra consequência dessa conjuntura foi o avanço do imperialismo, haja vista que a necessidade de mais recursos naturais acessíveis e a preços menores acirrou uma corrida em busca de territórios, que culminou em episódios como a partilha da África no final do século XIX e as duas grandes guerras mundiais da primeira metade do século XX.


 O que se percebe, portanto, é que nesse período histórico o modelo da globalização expandiu-se de modo extraordinariamente avançado. As transformações envolveram tantos os planos econômicos (como o avanço dos ideais do liberalismo) quanto o meio político (a exemplo das influências geradas pela Revolução Francesa em todo mundo). O meio cultural, como os estilos de época, as músicas, a moda, as tendências artísticas, entre outros, também avançaram em termos de difusão.

Assim, podemos entender a segunda fase da globalização como sendo a que estruturou as bases para a formação do capital financeiro e a ocorrência das revoluções tecnológicas, que demarcaram a fase atual desse fenômeno, que hoje atinge as mais diversas escalas, do local ao mundial.

Tayolismo & Fordismo


O Taylorismo é uma teoria criada pelo engenheiro Americano Frederick W. Taylor (1856-1915), que a desenvolveu a partir da observação dos trabalhadores nas indústrias. O engenheiro constatou que os trabalhadores deveriam ser organizados de forma hierarquizada e sistematizada; ou seja, cada trabalhador desenvolveria uma atividade específica no sistema produtivo da indústria (especialização do trabalho). No taylorismo, o trabalhador é monitorado segundo o tempo de produção. Cada indivíduo deve cumprir sua tarefa no menor tempo possível, sendo premiados aqueles que se sobressaem. Isso provoca a exploração do proletário que tem que se “desdobrar” para cumprir o tempo cronometrado.

 

 Dando prosseguimento à teoria de Taylor, Henry Ford (1863-1947), dono de uma indústria automobilística (pioneiro), desenvolveu seu procedimento industrial baseado na linha de montagem para gerar uma grande produção que deveria ser consumida em massa. Os países desenvolvidos aderiram totalmente, ou parcialmente, a esse método produtivo industrial, que foi extremamente importante para a consolidação da supremacia norte-americana no século XX.

 Os países subdesenvolvidos não se adequaram ao fordismo no sistema produtivo, pois a sua população não teve acesso ao consumo dos produtos gerados pela indústria de produção em massa. A essência do fordismo é baseada na produção em massa, mas para isso é preciso que haja consumo em massa. Outra ideologia particular é quanto aos trabalhadores que deveriam ganhar bem para consumir mais.

 


domingo, 23 de abril de 2023

TEMA 2: A PRIMEIRA FASE DA GLOBALIZAÇÃO: 1450-1885_SLIDES




















TEMA 02: A PRIMEIRA FASE DA GLOBALIZAÇÃO: AS GRANDES NAVEGAÇÕES 1450-1885


      

 A ideia de uma globalização designa o processo de integração em escala mundial da economia de mercado, das relações e interações humanas, relações econômicas, políticas e culturais entre nações, como consequência da velocidade sempre crescente dos meios de transporte e comunicação sendo, neste último caso, principalmente através das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). A globalização não é apenas um fenômeno de natureza econômica, mas política, tecnológica, cultural. Os diferentes aspectos do processo de globalização são: a globalização econômica e o neoliberalismo, a globalização social e as desigualdades, a globalização política e o Estado-nação, a globalização cultural ou cultura global, globalização hegemônica e contra-hegemônica, os graus de intensidade da globalização além de uma perspectiva do futuro da globalização. A ideia de globalização evoca a noção de um mundo único, uma aldeia global, um mundo sem fronteiras, de integração da economia mundial, de onde resultam expressões como: cultura mundial, civilização mundial, governança mundial, economia mundial, cidadania global.

 PRIMÓRDIOS DA GLOBALIZAÇÃO: AS GRANDES NAVEGAÇÕES

 

As Grandes Navegações talvez tenham sido o primeiro passo para o mundo se tornar globalizado. Foi um período de procura por novos locais para fazer comércio e explorar territórios que aconteceu entre os séculos XV e XVII. Era o início da construção de um comércio global, além do continente europeu, com as trocas comerciais se expandindo internacionalmente, principalmente para as Américas e para a África.

 Naquela época, a Itália tinha o monopólio da rota pelo Mar Mediterrâneo para a Índia, grande fornecedora de especiarias (produtos utilizados para temperar e conservar alimentos, elaborar medicamentos, cosméticos e outros produtos de farmácia). Dessa forma, os italianos cobravam o preço que desejassem para revender tais mercadorias. Por isso, havia a intenção, por parte de outros países como Espanha e Portugal, de romper com o monopólio, encontrando um novo caminho para as Índias Orientais (sudeste asiático). Além disso, existia o interesse por descobrir novas terras com o objetivo de encontrar, possivelmente, metais preciosos, produtos agrícolas ou pessoas para catequizar a religião católica nas regiões descobertas. Dava-se início à chamada “Era dos Descobrimentos”, financiada pelas coroas portuguesa e espanhola, em aliança com suas respectivas burguesias.

Esse período levou ao desenvolvimento da cartografia, à mudança do eixo do comércio mundial do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico, à chegada dos europeus na América, incluindo o Brasil, e à evolução do comércio a nível internacional. Apesar do aumento das trocas comerciais, os recursos disponíveis nos séculos XV a XVII eram muito diferentes dos que surgiram com a Terceira Revolução Industrial no século XX. Na Era das Navegações, tecnologias como caravelas, bússolas, pólvora e a invenção da imprensa foram importantes para as conquistas. A partir do século XX, surgem contextos político-econômicos, culturais e tecnológicos mais favoráveis à globalização.

 

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